A tragédia de Beslan

Queridos irmãos.
O que ocorreu na Ossétia do Norte, à semelhança dos desastres de Nova Iorque e de Madrid, suscita à grande maioria temor e revolta. Sobretudo faz agigantar-se diante de todos uma imensa floresta de interrogações, que pode abalar a fé dos menos preparados.
Venho aqui esta noite para, de acordo com minhas possibilidades e com a autorização de meus Superiores, trazer uma mensagem de esclarecimento e otimismo em relação ao futuro.
Fatos como este não acontecem, simplesmente. As pessoas, assim como os povos envolvidos, tem suas vidas entrelaçadas por suas obras nesta e nas vidas anteriores. Não quero sugerir aqui, em nenhum momento, que seres humanos são merecedores de qualquer tipo de atrocidade cometida por seu semelhante, a título de colheita compulsória ou resgate de seus débitos.

Atendo-me aos acontecimentos, o Plano Espiritual vem trabalhando desde há muito tempo para o abrandamento da situação, buscando um desfecho menos trágico aos encarnados e desencarnados envolvidos. Mas, como todos tem seu livre arbítrio, não nos é possível simplesmente mudar as decisões das pessoas, mesmo que, após o fato consumado, tão chocante e aterrador possam parecer os resultados. Não se trata da luta do bem contra o mal, como querem fazer parecer, e sim dos necessários ajustes evolutivos para que o homem siga sua marcha num mundo mais iluminado e mais sutil.
Vivemos num ambiente de intensas transformações no Planeta Terra. Transformações estas prometidas por Cristo e que começam agora a causar os distúrbios característicos das paixões humanas trazidas à tona, típicas em tempos de mudanças de era planetária.
É aqui que se começa a encontrar uma explicação razoável à compreensão de quem ora cumpre mais uma jornada na carne.

O terrorismo é um mal momentâneo que aflige o mundo. Ele está temporariamente vivo nas mentes de irmãos que ainda não possuem compaixão, tolerância e caridade. Muito natural, em se tratando de criaturas que encontram-se em suas primeiras passagens pela Terra ou que simplesmente demoram um tanto mais do que os outros para aprender.
Estes infelizes irmãos crêem piamente que estão salvando o mundo dos infiéis, e travam uma guerra chamada santa em nome de ideais longe de serem divinos. Em sua fé, morrer pela causa os levará a um fantasioso paraíso.
Triste é presenciar seu desencarne, geralmente em situações extremas, como na semana que se passou.
Não pense você, querido irmão, que estes infelizes ao abandonar o corpo compreendam de pronto a Verdade. Muitos, horrorizados, arrependem-se e pedem, de coração, o socorro divino, no que são prontamente atendidos. Outros, entretanto, juntam-se à legiões de fundamentalistas desencarnados, e permanecem lutando e influenciando os encarnados, supondo que o paraíso só estará acessível quando todos os infiéis estiverem convertido ou eliminados.

Como, então, combater este mal? Como acabar com ele?
Em primeiro lugar, seguindo os preceitos da fé Cristã. Não podemos julgar-nos superiores ou detentores da verdade. Estamos também em marcha evolutiva e não estamos isentos de erro.
O terrorismo não pode ser erradicado por nenhuma ação do homem. Há que ser apenas controlado, com medidas que evitem a disseminação de mais violência. As atrocidades cessarão no planeta na medida da evolução da humanidade, conforme já anunciado por Jesus, quando disse que os maus seriam banidos deste mundo.
Assim, à medida que a nova Era for se estabelecendo, em sintonia com a lei Universal da evolução, os maus servos serão naturalmente conduzidos a encarnar em outros mundos, onde terão novas oportunidades de aprender.

E aos irmãos que tem o discernimento de compreender a que me refiro, digo-vos que grande é a responsabilidade, porque são chamados a colaborar com a iluminação do planeta. 
Não percam a fé diante do bombardeio diário de imagens chocantes e notícias ruins. Não permitam que a dúvida ou a revolta, nem ao mesmo de leve, atormentem  seus corações. 
As Legiões da Luz trabalham incansavelmente para cumprir os desígnios de Deus e sua vibração de Amor Incondicional são de grande auxílio. Tenham fé que o mundo será, apesar de tudo, um lugar de Luz. Mesmo diante de todos os fatos negativos, não percam de vista que os maus alardeiam, enquanto os verdadeiros obreiros de Deus operam em silêncio. 
Participar desta luta é, portanto, fundamental. Vigiem os vossos pensamentos e orem, pois vossas orações estarão solidificando o caminho por onde descerá à Terra o novo Cristo. 

Manoel Dantas

A mensagem refere-se a invasão de uma escola no primeiro dia do ano letivo russo, em Beslan, na Ossétia do Norte, que durou três dias, entre 3 e 5 de setembro de 2004. Terroristas armados e com bombas presas ao corpo mantiveram 1200 pessoas como reféns sem comida e água, a maioria crianças de 7 a 17 anos.
No desfecho da situação morreram mais de 400 pessoas, incluindo todos os terroristas, quando o exército russo acabou por invadir o local, dadas as atrocidades cometidas pelos sequestradores.