História e doutrina espírita

Qualquer fenômeno ocorre através do funcionamento de um mecanismo desvendável".
Deus está lá, apesar das religiões inventadas pelos homens.


É cedo, por enquanto, para que o mundo compreenda que mais uma vez a história sofreu uma importante divisão: antes do Espiritismo e depois do Espiritismo
A doutrina não foi ainda assimilada e vive, por enquanto, seu momento de teoria. Falta-nos praticá-la.

Depois que o Espiritismo for maciçamente popularizado, os pais compreenderão que seus filhos são velhos espíritos que voltam e que as desigualdades sociais são consequência de nossos próprios atos anteriores. Com este entendimento, muita coisa mudará na Terra. Não teremos mais políticos desonestos, porque estarão candidatando-se a mendigos do amanhã. Não teremos drogados, porque compreenderão que são suicidas. Não teremos criminosos, porque serão os infelizes de toda ordem em futuras encarnações.

Vinte séculos se passaram para que comecemos a compreender Jesus. Assim será também com o Espiritismo. O mundo, um dia, lhe dará o devido valor.
Adaptado de texto de Octávio Caúmo Serrano

"A humanidade evoluiu da magia para a religião. O Espiritismo veio para continuar o que a religião não tem pernas para explicar".

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"O Espiritismo resolveu o problema da vida, depois de resolver o problema da morte e em seguida a questão das desigualdades. Preconiza o amor do próximo como o pivô mestre de toda a Lei e estende seus princípios à comunidade, exaltando a necessidade da prática de uma Religião sem pátria, sem dogmas, sem cultos exteriores, que trata exclusivamente dos interesses da coletividade, baseada no respeito  e no auxílio recíproco de todos.
Só o Espiritismo poderá impor aos homens uma política sã, interessada no desenvolvimento das sociedades humanas, sob os impulsos do direito e do dever, da instrução e do progresso que eleva e dignifica as almas."

Cairbar Schutel.

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Ainda que o espiritismo seja praticado, sob uma forma ou outra, desde tempos remotos, o espiritismo moderno é resultado de fenômenos acontecidos e pesquisados no século XIX. A referência mais antiga encontra-se no Velho Testamento, com o relato da visita de Saul à pitonisa ou médium de Endor, que materializou a presença do profeta Samuel (I Sam 28:7-19).
As manifestações extra-sensoriais ou de paranormalidade estão intimamente associadas ao espiritismo, embora atualmente existem grupos que se comunicam com espíritos utilizando rádios, televisores, computadores, faxes, e outros equipamentos eletrônicos, num processo chamado de
TCI (Transcomunicação instrumental).

A  sobrevivência do espírito após a morte do corpo físico e o princípio da reencarnação são as bases da doutrina espírita, movimento que surgiu na França e se expandiu pelo mundo, notadamente no Brasil.
O espiritismo como doutrina surgiu a partir da publicação, na França, em 18 de abril de 1857 do "Livro dos Espíritos" ( Le Livre des esprits), por Allan Kardec, pseudônimo do professor Hippolyte Léon Denizard Rivail. O livro codifica a doutrina espírita, que se resume em cinco pontos:

1- existência de Deus, como inteligência cósmica responsável pela criação e manutenção do universo;
2 - existência da alma ou espírito, envolvido pelo perispírito, que conserva a memória mesmo após a morte e assegura a identidade individual de cada pessoa;
3 -  lei da reencarnação, pela qual todas as criaturas retornam à vida terrena e vão, sucessivamente, evoluindo no plano intelectual e moral, enquanto expiam os erros do passado;
4 - lei da pluralidade dos mundos, isto é, da existência de vários planos habitados, que oferecem um âmbito universal para a evolução do espírito;
5 - lei do carma, pela qual se interligam as vidas sucessivas do espírito, dando-lhe destino condizente com os atos praticados.

A doutrina espírita não tem altares, cultos, sacerdotes ou rituais e não combate as outras religiões. Afirma que todos serão salvos, embora uns o sejam antes de outros, de acordo com a evolução do espírito nas sucessivas encarnações. Seus preceitos morais pregam o amor ao próximo e a Deus, a caridade e o progresso contínuo do espírito humano.

A mediunidade é um fenômeno importantíssimo, dentro do espiritismo. É uma faculdade por meio da qual o médium - pessoa dotada de elevada capacidade de percepção extra-sensorial - manifesta os mais diversos dotes, como vidência, clarividência, clariaudiência, levitação, telecinesia (movimentação e/ou transporte de objetos), psicografia, emissão de ectoplasma, curas e outros.

O Brasil é considerado o maior país espírita do mundo. Denominado kardecismo em homenagem a seu codificador, o espiritismo no Brasil começou em Salvador-BA em 1865. A partir de 1877, foram fundadas as primeiras comunidades espíritas, como a Congregação Anjo Ismael, o Grupo Espírita Caridade e o Grupo Espírita Fraternidade. Em 1883, surgiu O Reformador, a mais antiga publicação espírita do Brasil, e no ano seguinte Augusto Elias da Silva fundou a Federação Espírita Brasileira, que adquiriu grande projeção na gestão de Adolfo Bezerra de Meneses Cavalcante, a partir de 1895. A Livraria da Federação, criada em 1897, é responsável pela edição, distribuição e divulgação da vasta literatura espírita. Ao lado da difusão da doutrina, as organizações espíritas brasileiras realizam um amplo trabalho de assistência social e fraternidade humana, como manutenção de asilos e outras instituições.

Dentre os principais médiuns brasileiros destaca-se sobretudo a figura de Francisco Cândido Xavier, autor de centenas de obras psicografadas e realizador de um intenso trabalho espiritual. Além dele, ganhou notoriedade José Pedro de Freitas, o Zé Arigó, que efetivava curas e cirurgias pela incorporação do espírito do médico alemão conhecido como Dr. Fritz.