Joana d'Arc
Dizia ouvir vozes divinas e ver santos. Seria  a heroína francesa uma médium vidente?


Joana d'Arc

Jovem camponesa, que, no século XV, aos 17 anos, atuou como líder das tropas francesas contra a Inglaterra, na Guerra dos Cem Anos, e consagrou-se como símbolo de luta pela liberdade. Deixou a casa, em Domrémy, guiada por vozes que dizia divinas e foi ao encontro do Rei Charles VII, de quem recebeu uma espada, um estandarte e o comando das tropas reais.

Joana d’Arc viveu em um tempo marcado pela violência, a qual era promovida pela disputa da coroa francesa pela Inglaterra, conflito este, celebremente  conhecido  como a Guerra dos Cem  Anos.  A maior parte do território francês estava sob o domínio do Duque de Borgonha, aliado inglês,enquanto  o resto do país era aliado do Delfim Carlos, herdeiro do trono francês.   Porém,   ainda não havia sido coroado, fato que se dá quatro meses após o aparecimento de Joana d’Arc na corte de Bourges.
 
Desde criança,  Joana d’Arc vai perceber os  efeitos devastadores desta guerra,  pois,  morava em Domrémy e sua casa ficava diante de uma antiga estrada romana a qual atravessava o rio Mosa e, por onde passavam , as tropas e os peregrinos os quais narravam as atrocidades e,   lamentavam  por a França não ser uma nação unida, o que facilitava a ação inglesa.
Segundo os relatos constantes no processo de inquisição de Joana d’Arc, ela afirma ter nascido  ano de 1412 na aldeia lorenense de Domrémy e que, em 1424, quando contava então com doze anos de idade, viu pela primeira vez a figura do Arcanjo São Miguel, padroeiro do Delfim, o qual acompanhado de outros arcanjos, anunciou que viriam a ela Santa Catarina e Santa Margarida, as quais lhe dariam instruções sobre o que ela deveria fazer.
Joana afirma em seu depoimento, que nos quatro anos subsequentes, as santas lhe apareceram e que em 1428  ordenaram que ela fosse até Vaucouleurs,  lugar   distante dezesseis   quilômetros de sua aldeia, e que uma vez lá, procurasse um senhor de nome Baudricourt, o qual  lhe  forneceu um cavalo   e uma guarda  militar com  os quais  seguiu  até  Chinon,   lugar  onde  se encontrava o Delfim, e que, sob a voz "Avança sem temor", ela seguiu para Vaucoleurs deixando para trás  sua aldeia natal de Domrémy

Capturada pelos borguinhões (aliados franceses da Inglaterra), em Compiégne, quando do ataque a um forte em Paris, após ser ferida na coxa por uma flecha, e vendida para os ingleses, foi julgada como bruxa e condenada à fogueira a 30 de maio de 1431, em Ruen, pois afirmava até o fim que seguia vozes divinas. Essas vozes que ouvia poderiam ter forte relação com alguma missão secreta da Ordem Franciscana onde passou sua adolescência.

Nos autos da inquisição a mesma foi acusada de esquecer-se da dignidade do seu sexo, vestindo-se com trajes insólitos, convenientes somente aos homens.

Foi homenageada pela primeira vez por Napoleão como protetora das forças armadas francesas. Virgem mesmo após o casamento com Robert des Armoises, em 1909 seria beatificada e canonizada em 1920 pelo Papa Bento XV.